Mais um que viu a Itaipu começar do zero

A declaração é de José Rodrigues, que nasceu em Ituporanga (SC) e aos seis meses foi morar em Maringá (PR). “Como meus pais trabalha-vam na roça, me deixaram na churrascaria de uma família, onde comecei a trabalhar aos nove anos lavando espeto. Depois fui garçom, e aos 21 anos fui trabalhar com taxi em Foz do Iguaçu, mas não deu nem um ano e já fui para a Itaipu”.

Essa história começou porque José tinha um amigo que transportava o pessoal da Itaipu e falou para ele ir lá. “Eu fui e acabei sendo contratado como motorista por Alberto Cotrim. Isso foi em outubro de 1974, fiquei dois meses ajudando no escritório no centro de Foz, até que chegaram dez fuscas para a gente traba-lhar. Também chegaram caçambas novas e o primeiro trator da obra”, lembra José, que logo ficou conhecido como Zezinho.

CAXIAS
 “Comecei na Itaipu junto com a obra, ainda era tudo capim alto. Fiquei no setor administrativo com Cotrim e o engenheiro José Roberto Monteiro, superintendente
da obra. Eu era o primeiro a chegar e o

último a sair. Cansei de ficar com José Roberto até 10, 11 horas da noite no canteiro de obras. Ele ficava no escritó-rio pioneiro e eu ficava lendo no fusca e ouvindo os grilos cantarem”, conta.

Mas em 1977 quase que José deixou a Itaipu. Seu ex-patrão, o da churrascaria, o chamou para trabalhar em Dourados (MS). “Fiquei lá só 23 dias, e como os diretores disseram que se não desse certo era para eu voltar, voltei e fui contratado pela CAEB/Itaipu, só que agora com crachá vermelho”, diz ele.
 

DO FUSCA AO CAMINHÃO

Readmitido, José trabalhou como motorista do Cel. Castro de Paula Freitas durante dez anos, época em que viajou bastante. Depois trabalhou para outros diretores, porém, sempre atendia também outras diretorias, além da administrativa. Pouco tempo depois passou para o cargo de auxiliar administrativo, mais tarde passou
a técnico de manutenção, e se aposentou como supervisor de manutenção e conservação. “Mas sempre que o diretor vinha a Foz eu trocava o uniforme e trabalhava para ele como motorista”, comenta.

Foram 33 anos de empresa. José se aposentou no final de 2007, aos 55 anos, e ficou seis meses parado, mas como estava entrando em depressão, voltou a trabalhar. Ele agora é motorista de um caminhão câmara fria e viaja o Brasil todo.

GRATIDÃO
Para quem planejava ficar apenas um ano em Foz do Iguaçu, José extrapolou. Foi para lá em meados de 1973, casou em março de 1974, teve três filhos, a primeira faleceu com seis meses; se separou, se aposentou, casou-se novamente e até hoje vive em Foz com Roseli. Os filhos, que também moram na cidade, lhe deram três netos, e o sonho dele agora é ver os netos formados.

Grato por ter passado boa parte de sua vida na Itaipu e por ter aderido à Fibra assim que foi criada, José diz que se sente feliz por só ter deixado amigos na empresa, pois sempre se deu bem com todo mundo. E para finalizar, diz que o segredo do êxito profissional é a pon-tualidade e o empenho, sem esquecer a regra: em primeiro lugar o trabalho, depois o coleguismo e em terceiro lugar a chefia. “Do trabalho a gente precisa, os chefes vão e vêm, já os colegas ficam para sempre”

Fotos: acervo de João Ricardo Vieira Martins