O Guartelá pertence à região dos Campos Gerais, primitivamente chamado Campos de São João ou Passagem de São João. Situado entre os rios Iapó e Tibagi até alcançar a região do Rio Pitangui, fica a cerca de 180 km de Curitiba. Está encravada na escarpa que separa o primeiro do segundo planalto paranaense, na região denominada "escarpa devoniana”. O Guartelá tem 40 km de extensão aproximadamente, abertura máxima de um quilômetro e as escarpas têm entre 100 e 130 metros de abertura, sendo considerado o 6º maior Canyon do mundo em extensão e o 1º do Brasil.
Segundo os historiadores, a origem do nome ainda hoje é incerta. A versão mais aceita pelos pesquisadores narra um ataque dos índios à região. O local era povoado por gado descendente das criações trazidas de Portugal por Martim Afonso de Souza.
Com o gado chegaram vários criadores, que ergueram suas casas. Os novos habitantes não sabiam que os índios costumavam caçar na região durante o verão. A estação chegou e os índios se surpreenderam com a quantidade de gado - que para eles se tratavam de bichos selvagens como veado ou paca. Como os nativos acreditavam que os animais pertenciam a quem os caçasse resolveram levar o gado mesmo com a resistência dos criadores. Organizou-se então um grande ataque. Um dos fazendeiros enviou um recado a outro por meio de seu escravo dizendo “guarda-te lá que fico aqui”. Daí surgir à expressão Guartelá.
Dentro do cânion Guartelá está o Parque Estadual do Guartelá, criado em 1992, formado por um ecossistema extremamente rico e inúmeras atrações naturais. São várias quedas d'água, corredeiras e vales profundos, , que podem ser conhecidas através de várias trilhas em meio à flora e fauna muito diversificada. Apesar de estarem muito danificadas pela ação humana.
Por lá são encontradas espécies de plantas que normalmente são vistas em lugares completamente distintos: samanbais e xaxins típicos da Mata Atlántica; cactos só encontrados nas caatingas; imbuias e cambuís, que formam a vegetação de banhados. Há ainda grande quantidade de araucárias, copaíbas, ipês-amarelos, erva-mate, bromélias, orquídeas e palmeiras, barbas-de-bode, entre outras tantas espécies.
Quanto à fauna da região, destacam-se mamíferos como tamanduás-mirins, bugios, tatus, capivaras e até o lobo-guará e a suçuarana, ambos ameaçados de extinção. Entre as aves, os destaques são a curucaca, falcão, quiri-quiri, pica-pau-do-campo, tirivas, codornas, perdiz e jacu. A beleza e a diversidade da região têm atraído cada vez mais visitantes para o local. Além das várias caminhadas, pode-se praticar também o rafting nos rios Tibagi e Iapó e o rapel em cachoeiras dessa região.
Algumas dicas: parque é aberto das 8h às 18h, de quarta a domingo e feriados nacionais; não existe área de camping dentro do parque e o visitante deve tomar muito cuidado proximo a cachoeiras e quedas d’água pois as pedras são lisas e o risco de acidentes é grande.
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