CIENTISTAS ACREDITAM QUE CESARIANA
PODE FAVORECER O DIABETES TIPO 1

As crianças que nascem por cesariana têm 20% a mais de possibilidade de desenvolver o diabetes tipo 1 do que aquelas que nascem de parto normal. Essa é a conclusão de uma equipe de cientistas da Queen’s University, de Belfast, após a revisão de vinte estudos sobre diabetes tipo 1 publicados em diversas revistas cientificas, onde foram analisados cerca de 10.000 pacientes, além de grupos de controles da doença com mais de 1 milhão de pessoas cadastradas. O interesse pela pesquisa surgiu a partir de um dado estatístico que mostrava, na Europa, a evolução do número de crianças nascidas com diabetes semelhante ao crescimento da prática de cesarianas. Aliás, ficou constatado que esses índices são bastante próximos em todo o ocidente. Outro fato que chamou atenção dos pesquisadores foi o percentual de procedimentos cirúrgicos estarem bem acima dos 15% estipulados como aceitável pela Organização Mundial de Saúde – OMS. Com isso, a possibilidade do número de crianças nascerem diabéticas poderia ser nas mesmas proporções,

O diabetes tipo 1 ocorre quando o sistema imunológico destroi as células produtoras de insulina do pâncreas. Para os cientistas, a hipótese mais provável é que a cesariana interrompe o desenvolvimento do sistema imunológico dos bebes ainda dentro do ventre materno. “Ao nascer de parto normal”, explica Chris Patterson, coordenador da pesquisa, “a criança é exposta a uma série de bactérias. Isso faz com que ela nasça com alguns anticorpos. Quando o nascimento se dá por cesariana, esse processo pode não estar completo e ao ser exposta ao ambiente hospitalar é possível que ela seja contaminada por algum tipo de bactéria que destrua as células produtoras de insulina” afirmou.

Para o médico Ignacio Congest, do Serviço de Endocrinologia e Diabetes do Hospital Clínico de Barcelona, Espanha, as hipóteses formuladas pelos cientistas devem ser levadas em consideração e lembra de uma teoria bastante difundida, denomindada “excesso de higiene”. Ela se baseia na idéia de que a falta de exposição do organismo a determinadas situações pode fazer com que o sistema imunológico torne-se mais vulnerável. “O parto por cesariana é a forma mais higiênica para nascer. No caso do parto normal, o recém nascido é exposto a uma série de germes dentro do ventre. Aliás, não podemos esquecer que esse é o processo natural da vida”, afirmou Congest. Na Espanha, são diagnosticados anualmente cerca de 4.500 novos casos de diabetes tipo 1, sendo mais de 50% em idade entre 10 e 12 anos. Para Congest, o importante agora é buscar conhecer novos mecanismos biológicos que justifiquem a relação entre a cesariana e o diabetes.

Os médicos são unânimes em afirmar que enquanto os estudos não confirmarem os resultados da pesquisa, nada justifica evitar a cesariana pelo risco de aumento dos casos de diabetes em crianças recém-nascidas. Para eles, essa prática deve se limitar aos casos que a intervenção seja estritamente necessária sob o ponto de vista médico.

No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS, a média de cesarianas realizadas pelo atendimento do SUS é de que 44% dos nascidos. No caso de atendimentos particulares em hospitais privados a média é de 80%, podendo chegar a 98%.
Fonte: Jornal El País, Espanha