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UMA CARTILHA DE PROPOSIÇÕES
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Certamente você já deve ter visto sobre a mesa do colega de trabalho, ou quem sabe até na estante do chefe, um daqueles livrinhos que cabe no bolso do paletó ou na entulhada bolsa de qualquer mulher chamado “Minutos de Sabedoria”. Trata-se de uma espécie de manual de auto-ajuda portátil, onde alguns buscam encontrar resposta para os problemas do dia a dia. Quando o assunto é filosofia, o livro Qual é a Tua Obra?, de autoria do filósofo e professor-titular do Departamento de Teologia e Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, Mario Sergio Cortella e editado pela Vozes, segue o mesmo diapasão. Em cento e quarenta páginas de linguagem coloquial e ilustrado por analogias históricas, Cortella aborda temas como gestão, liderança e ética. Questiona, por exemplo, qual a sua reação ao ouvir esta pergunta. “Você se sente confortável, satisfeito, quando pensa em sua obra ou fica inquieto e um tanto quanto desconfortável?”. Para ele, caso esteja no primeiro grupo preocupe-se; mas se estiver no segundo anime-se “porque este livro trará algumas inquietações acompanhadas de proposições relacionadas esses temas”.
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No capítulo sobre Ética, Cortella ensina que a ética é um conjunto de princípios e valores que usamos para responder as três grandes questões da vida humana: Quero? Devo? Posso? “Há coisas que eu quero, mas não devo. Há coisas que devo, mas não posso. Há coisas que posso, mas não quero. Afinal, quando você tem paz, tem um pouco de felicidade? Exatamente quando o que você quer é o que você deve e pode”. O problema é justamente conseguir formar essa tríade ética e satisfazer todos os interesses envolvidos na questão. Como exemplo, cita o caso de uma empresa que necessita desembaraçar uma carga num porto qualquer, que contém uma peça essencial ao seu funcionamento. O prazo legal exigido pela burocracia é maior que o desejado, porém existe a famosa “taxa de facilitação”. Daí nasce o eterno drama: pagar ou não pagar?
Conclui citando uma frase do religioso beneditino francês, François Rabelais, autor da obra Gargântua, Pantagruel, publicada século XVI, que afirmou “conheço muitos que não fizeram quando deviam, porque não quiseram quando podiam”. Ou seja, se a gente pode, se gente quer, a gente deve. (RR) |
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