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Compreender a China e seus mistérios, mesmo para os chineses, é uma missão impossível. Para nós, ocidentais, é um exercício de miragem. Na verdade, trata-se de um dos mais intricados processos político, sociológico, cultural e econômico vividos na história da humanidade. Apesar da imensidão e da diversidade do cenário chinês, esse continente permaneceu como uma só unidade política justamente devido ao seu estilo de vida, a cultura, ao sistema político e uma tradição milenar muito mais enraizada do que qualquer outra. “China – uma nova história” é uma tentativa bem sucedida para entender a formação do país que hoje assombra o mundo com seu superdesenvolvimento.
Os autores, John King Fairbank, graduado pelas Universidades de Harvard e Oxford, professor e diretor do Centro de Estudos Asiáticos de Harvard, viveu na China entre 1932-36; e Merle Goldman, professora da Universidade de Boston, traçam um panorama sobre o país desde a pré-história à primeira
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década do século XXI. Eles tentam responder e justificar o enorme paradoxo que atualmente perturba até mesmo os chineses: como um país que nos séculos XI e XII era muito mais progressista e adiantado que Europa, ficou tão distante na corrida tecnológica? Por que a China não evoluiu? Por que todo seu processo de modernização ficou estagnado e, em alguns casos, regrediu? Se as condições de vida até o século XVII se equiparavam, em geral, com a Europa e grande parte do ocidente moderno, onde a China falhou de modo tão espetacular? Dentre os argumentos considerados fundamentais para a compreensão deste processo histórico, estão o conservadorismo, a resistência às inovações tecnológicas, a tradição e a influência religiosa – notadamente o confucionismo. Aliás, o fundamento lógico do código confuciano determinava que todas as organizações sociais deviam começar por “uma ordem cósmica e uma rígida hierarquia de relações entre superiores e inferiores”, onde “os pais eram superiores aos filho; os homens às mulheres e os reis aos súditos”. Portanto, se todos cumprissem seu papel a ordem social se instalaria naturalmente e seria conservada. Só assim é possível compreender como a autocracia, instalada desde os tempos das dinastias imperiais nos anos 770 a. C. até os dias atuais, permanece incólume. Para os autores, nenhuma outra dinastia na história da humanidade “reinou num Estado tão amplo nem monopolizou tantos poderes como na China”. Numa narrativa tão acessível e quanto instigante, são esmiuçados eventos, fatos, personalidades, bem como algumas características e contra-sensos históricos, culturais e religiosos. Trata-se de um pequeno retrato 3x4 da história chinesa, mas fundamental para poder entender o que se passa nos dias atuais. (RR)
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