Agora, Nassif retorna com “A casa da minha infância”, um livro de crônicas onde as reminiscências de sua vida são expostas de forma prazerosa. Os textos, sucintos, escritos numa linguagem simples, mostram a face oculta de um garoto comum, filho de classe média nascido em Poços de Caldas, Minas Gerais, que se tornou conhecido como um dos mais importantes e respeitados jornalistas econômicos do Brasil. |
No livro, Nassif deixa de lado a frieza dos números e gráficos, para mergulhar nas lembranças de infância, nos amores de adolescência que nada mais são que “fantasias não realizadas e interrompidas no meio do sonho antes de sofrer os desgastes das relações diárias”. Expõe, sem remorsos ou pieguices, a relação distante, fria e quase ausente que manteve com o pai desde antes dos 13 anos. “Declarei guerra a meu pai. Desde aquela noite de 1963 um muro ergueu-se entre nós”. O livro seria uma espécie de expiação para expurgar esses fantasmas? “Não digo expiação, porque acredito ter sido um bom filho. Foi sim uma forma de auto-análise, aliás, bem dolorida” afirmou em entrevista exclusiva ao site da FIBRA.
Com o texto, “O olhar de meu pai”, Nassif resume parte dessa história. Seu Oscar, farmacêutico respeitado na cidade, viveu os últimos anos de vida numa via-crúcis. Primeiro, as dificuldades financeiras; depois, dois derrames e uma vida quase vegetativa. “Só depois de morto e enterrado comecei minha longa caminhada atrás de meu pai. As vezes sinto o travo da última conversa que não houve, dos beijos que não lhe dei”.
Dividido por temas – memorialística, cenas do esporte, personagens da história, músicas e músicos e declaração – a obra, sem qualquer pretensão de ser autobiográfica, pincela alguns fragmentos da vida comum de um jovem interiorano que, como milhões de outros, ousou enfrentar a cidade grande em busca dos sonhos. A sensação é que existem dois “Nassifes” a conviver no dia a dia. Como exercitar temas tão dispares? “Nenhum conflito. Em minhas colunas econômicas sempre defendi temas voltados para o cidadão comum, como políticas sociais, o SUS, e educação.” A próxima empreitada é uma biografia que já está escrevendo. É possível que um dia o jornalista se aposente e fique apenas o escritor – e também músico – Luis Nassif? “Impossível” afirma taxativo. Ainda bem. Assim ganhamos todos. Vale a pena conferir. (RR) |